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Armando

Colhendo Poesias

9월 17일

No mar do tempo

De mim esta ilha deserta
O último frasco lanço no mar revolto
Única lembrança "in vitro" do teu perfume
Do suave aroma que guardo em memória
 
Sem ter mais onde, só uma mensagem
Perdendo de mim um dos tesouros
Um amargo bilhete transcrevo no verso
Da folha transcrita com a tua poesia

São palavras colhidas sobre o luar
Nas entristecidas noites de estrelas caidas
Na areia onde corpos um dia souberam amar
Dois corações que a emoção insistia querer

A última esperança divina de amar em paz
Com todos os caprichos de uma canção
Que o tempo enternecido parou para ouvir
O eco da voz pelo ar a dor que aumenta no peito

Sei hoje o lamento que dissolve a alma
Quando trazes no choro do olhar o destino
Os teus lábios trêmulos em partida de adeus
No mar do tempo entrego a saudade de amar




A lua que me resta

Nasceu em mim a tua presença
Mostrando-me a tua dor
A ela transpus-me louco
Peito aberto de amor

Em teu rosário uni-me em tuas preces
No teu sorriso a minha alegria
Das tuas lágrimas a amargura
Sou tuas promessas de desventuras

Percorres pelas minhas artérias e veias
Reconhecendo a cada tecido do que sou feito
Asfixia-me a  saudade e venosamente clamo...
Oxigena-me a alma

Enfraquece-me o teu silêncio
Sentenciando ao suplício da noite
Negas ao luar adentrar pelas frestas
Suave teu cálice transbordas

Sob a lua que me resta
Cala-me de amor e beijas




Entre as estrelas

Contemplo agora o meu nascer
Depois de tanta escuridão 
Buscando em ti a transcendência
Das minhas noites que são tuas

Esvai de mim o viver
Se te faço amar na dor
Do meu querer nas entrelinhas
A minha insensatez em teu ser

Nessa névoa invísivel do medo
Minh'alma se cala cúmplice da tua
O silêncio denuncia tanto saber
Sem saber se só existem juntas

Sentir-te ao lado conviver
Na intensidade de um amor
Tendo-a nos braços aninhas
Perdoas meu desamor embevecer

Neste meu olhar perdido no infinito
Busco o brilho raro dos olhos teus
Entre as estrelas uma órbita celeste
Desejos d'alma que os corpos realizam  

Partilhando a tua dor no anoitecer
Sufoco minha alegria no amargor
Tenho as insones noites que caminhas
Pelo desejo de contigo estar no amanhecer

Resplandeces no azul manto da noite 
Como as estrelas nas noites inquietas
Detenhas meu amor em segredo
No teu coração o meu viver  




7월 20일

O dom do amor

Escute os segredos
Sussuras ao meu coração
Como as brisas suaves
Trazendo o alvorecer
Venhas entrando
Pelas minhas frestas
Iluminando meus medos
Acalentando a alma
Sorriso de anjo
O corpo em poesia
Radiante em minhas preces
Como a estrela da manhã
Saberás que estarei afoito
Diante da tua beleza grega
Do teu amor divino
És a inspiração do meu poetar
Tens o dom da vida
A energia do meu pulsar
És o amor que edifica
Na intensidade do meu cérebro
Cuidas bem de ti, por mim
Por toda a minha vida
Aos céus, a terra, ao ar
Agora sei o que é te amar

Meu segredo

Queria seguir te aos olhos
Sob o sol nas ruas
Encantadoramente linda
Terei a felicidade por amá-la infinda

Seja apenas seu coração de outrem
Somente eu saberei admirá-la única
Com seus cabelos soltos pelo vento

Sentindo-a úmida ao sabor das manhãs

Saberei da tua delicadeza de orquídea
Teu sedutor caminhar sobre plumas
Nas vestes a sensualidade que inflama
Perfumando as flores dos jardins

Este será o meu segredo
Entre mim e a natureza
Zombaremos daqueles a quem amas
Os infelizes que não te reconhecem

Apenas conhecem o corpo
Uma mulher tão desejada
Desconhecem a alma iluminada
Que a torna única em mim


Coisas do amor

Vou te esquecer
Da sua boca o vermelho
Dos lábios o teu gosto
Da tua pele o sal
De todos os seus ais
Sem o vermelho que pulsa
O sangue que borbulha
Me esqueço de ti
Sem sonhar teu rosto
Te arrancando de mim
Da minha pele a memória
Da tua cama o perfume
Deixo no vento o teu cheiro
Nas ondas do mar o teu suor
Enquanto espero acontecer
Vou me perdendo do azul
Me atracando no cais
Criando limo no coração
Enquanto espero te esquecer
Vou me lembrar eternamente
Que ainda vou te esquecer


Amor

Incrédulo te assisto
Desabrochando em flores
São luzes multicores
Teus aromas e segredos
Nos canteiros do teu corpo
Te transformo em meu jardim
Meu descompassado coração
Mergulha profundo e latente
Teu mar bravio em tempestade
No silêncio dizes tudo
Sussurando os meus desejos
Somas os pedaços de mim
Desvendas o meu anoitecer
Todos os medos e segredos
Que não me basto e te preciso
Preciso para ouvir as estrelas
Alcançar as minhas montanhas
Preciso para salvares de mim
Acordar sentindo saudade
Perder-me em longos abraços
Resgatar-te dos meus sonhos
Tornando-a em minha realidade
Reconhecê-la em todas as estações
Preciso perder-me nesse amor sem fim

 
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